Quando
cheguei na Inglaterra há um ano eu tratei de procurar alguns livros que sempre
quis ler e não tinham tradução para o português ou não eram encontrados no
Brasil. Um deles era de Ray Bradbury, autor de clássicos de ficção científica. Mesmo lá, em Londres, foi difícil encontrar uma
edição do “Zen in the Art of Writing”, que, aliás, logo seria lançado por aqui.
O livro foi
encomendado pela internet no site de uma grande livraria do Reino Unido. Demoraram
algum tempo para encontrá-lo, a edição estava indisponível no país, prometeram
para dali em breve, atrasaram algumas semanas, se desculparam pelo atraso, mas
um dia, enfim, uma edição de bolso, americana como o autor, chegou naquela casa de Wimbledon. O que
posso dizer é que Ray Bradbury me acompanhou durante quase todo o período em
que vivi na Inglaterra no ano passado. Na prova final do meu curso, quando deveríamos
entregar uma resenha de um livro, escrevi sobre aqueles ensaios do autor de “Fahrenheit
451”.
Agora vejo
que Bradbury morreu nesta quarta-feira, aos 91 anos, em Los Angeles. Lamento
não ter a resenha comigo. Sou grato ao autor pela companhia e ensinamentos naqueles meses
de retiro. Suas palavras foram determinantes para o que viria a seguir. Elas me
fizeram ver que tudo está em nós, na nossa história, e ela é sempre fantástica.
Mais, me fizeram ver que com trabalho e determinação as coisas acontecem e,
acontecendo, determinam outros acontecimentos que proporcionam novos trabalhos,
uma coisa ligada à outra.
Eu não sou
o único. Com suas dezenas de livros, Bradbury inspirou muita gente e, sobretudo,
transformou muita gente. De minha parte, posso dizer, apenas, obrigado. Adeus,
escritor.
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